QI DOS FILHOS É MENOR QUE DE SEUS PAIS

Os tempos atuais são de demandas incessantes para crianças e adolescentes: carga horária escolar elevada, aulas de inglês, programação, dança, esportes, sem contar as inúmeras horas diante das tecnologias, em que os jovens estão mobilizados por jogos, assistindo tutoriais, realities ou séries.

As crianças e adolescentes também têm inúmeras habilidades para dar conta, acrescidas das alardeadas “soft skills”, em que se espera que desenvolvam colaboração, flexibilidade, capacidade de trabalhar sob pressão, comunicação eficaz, foco em resultados e liderança.

O discurso do sucesso encontra limites nas conclusões apontadas na obra do neurocientista Michel Desmurget, intitulada “Fábrica de Cretinos Digitais”, em que testes de QI apontam que as novas gerações são menos inteligentes que as anteriores. O especialista afirma: “Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”.

Qual é a coerência de famílias, escolas e demais espaços sociais que apontam para tantas exigências, sem que haja efetivamente espaço para criar, parar, refletir e desenvolver?

Resgate importante a ser realizado é do “tempo em que todos fazem algo juntos”, uma vez que os adultos estão imersos (também) nas suas tecnologias digitais, postando, comentando e interagindo à distância, enquanto as atividades que podem ser realizadas de forma compartilhada perdem espaço. Há quanto tempo não olhamos juntos um filme? Jogamos um jogo? Olhamos nos olhos?

As interações desconectadas precisam ganhar novo espaço na nossa vida. O modo como estamos vivendo e conduzindo a infância tem trazido efeitos prejudiciais a todos, tornam as exigências dos tempos atuais inacessíveis e os efeitos nas relações humanas têm sido prejudiciais. Mudar esse cenário depende da conduta de cada um de nós, desligando mais os nossos dispositivos.

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