OS MITOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A revolução do conhecimento faz parte da história recente, sendo que vivenciamos a realidade digital cada vez com mais intensidade. Livros, filmes, documentários e tantos outros trabalhos trouxeram para a rotina e para o imaginário a percepção que a inteligência artificial poderia trazer muitos benefícios e revolucionar nossas vidas.

Inteligência artificial é a expressão utilizada para o “aprendizado da máquina” que, fundada em bancos de dados formula respostas por padrões, conforme a parametrização que lhe é apresentada. É verdade que existem muitos benefícios que já podem ser percebidos a partir dessa tecnologia, muitos aliados à prática da medicina, indústria e automação de alguns processos.

No entanto, a experiência tem mostrado que a máquina tem dificuldades em reconhecer expressões de intensidade, tais como “muito”, “pouco”, “sempre” ou “nunca”, dentre tantas outras que modulam nossas relações. E esta dificuldade interfere em muitos processos de refinamento de informações.

A inteligência artificial também tem sido criticada, pois ela reproduz preconceitos intrínsecos da sociedade, a partir de leitura de bancos de dados e fixação de parâmetros, como, por exemplo, a sua utilização na seleção de currículos. A Amazon constatou que a inteligência artificial discriminava mulheres, o que se deu a partir do histórico de candidatos selecionados anteriormente.

Interessante que a Lei Geral de Proteção de Dados confere ao titular a possibilidade de questionar decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados pessoais que afetem seus interesses (art. 20), o que não deixa de evidenciar a dúvida sobre a correção das decisões da máquina.

A inteligência artificial auxilia as nossas rotinas, mas é a sensibilidade humana que observa os detalhes e constrói as relações que são o fundamento da vida em sociedade e do Direito.

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