Crianças e adolescentes estão sendo catalogados?

Há um universo novo e preocupante para a infância no ambiente digital, que precisa ser enfrentado a partir do debate entre Poder Público, sociedade civil e famílias, relacionado à nova forma de combinação dos dados de crianças e adolescentes.

Precisamos considerar que a partir da gestação de um bebê já existem informações que são compartilhadas com plataformas diversas (exames realizados no pré-natal), posteriormente imagens e relatos registrados em outros ambientes pelos pais e familiares, avaliações escolares em plataformas, seguidos pelo ingresso das próprias crianças nos jogos online, aplicativos escolares e redes sociais.

Existem, igualmente, estratégias publicitárias que estabelecem “gatilhos de comportamento”, naturalizando determinadas práticas na rotina de crianças e adolescentes que não diferenciam mais ações normais da sua rotina de atos de consumo. Os cliques em determinados conteúdos também deixam “as suas pegadas digitais” e indicam perfis de personalidade ou suscetibilidades.

É preciso estabelecer debate sério a partir dessa nova economia, que tem sido denominada “Economia da Atenção”, fundada na coleta massiva de dados desde a infância, na exploração da subjetividade e que leva a um modelo de negócios baseado na modulação do comportamento.

Essa economia não está somente voltada às informações deliberadamente registradas, mas se funda também na combinação entre geolocalização, atividades realizadas e dados relacionados ao humor que levam à catalogação de aspectos da personalidade.

A partir da catalogação de crianças e adolescentes, pela combinação de seus dados e dos aspectos da personalidade, existe o receio de que possam ser estabelecidos parâmetros (de inclusão ou exclusão) para fins de seleção em escolas, universidades, intercâmbios, empregos ou outras oportunidades.

Seria razoável estabelecer que o histórico de crianças e adolescentes, seres em desenvolvimento e que devem ser orientados para a aprendizagem, possa definir as oportunidades no futuro?

Esse debate deve ser estabelecido de forma consciente por famílias, escolas, demais entidades do Poder Público e da sociedade civil.

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